Quando dizemos que "não acreditamos em deus" geralmente a reação do interlocutor é de estranheza, e logo vem a pergunta: "Então você acredita em quê?", claramente vemos um erro de interpretação nessa pergunta, mas talvez a culpa desse erro seja da metonímia que usamos no dia-a-dia para dizer que discordamos de alguém. Por exemplo, quando eu digo que "não acredito no Lula" não quero dizer que acho que ele não exista, estou dizendo que não acredito nas coisas que ele diz. Essa interpretação está absolutamente correta, contudo o mesmo não se aplica ao falar sobre o deus judaico-cristão ou qualquer outro. Existe um diferença. Ao dizer que "não acredito em deus" estou dizendo que não acredito na existência de deus, de nenhum. A diferença sempre me pareceu sutil, mas analisando agora, não parece ser tão sutil assim. E essa descrença inclui (exclui da crença) espíritos, almas, demônios, gnomos e qualquer outra coisa metafísica que só pode-se crer com base em fé.
Sou incapaz de acreditar em qualquer coisa por simples fé. Não posso acreditar em algo sem ter provas, diretas ou indiretas, de sua existência (e se você acha que fé prova alguma coisa, clique no link e veja a definição), se para a maioria fé é suficiente, existem aqueles, eu incluso, que não é. Visões discordantes geram debates e, dependendo dos debatedores, podem ser debates incrivelmente elucidantes! Não que vá, necessariamente, alterar a opinião de qualquer um dos participantes, mas podemos aprender muito sobre o ponto de vista de quem tem uma visão contrária, o que pode inclusive fortalecer a sua própria.
Quem é ateu não é contra deus, no sentido satânico da coisa, apenas não acredita que ele(s), exista(m). Talvez sejamos contra a religião, que é usada para manipular e ludibriar os mais simplórios, mas isso é assunto pra outro texto.
